Animais marinhos sofrem consequências do lixo. - Planeta dos Animais

Animais marinhos sofrem consequências do lixo.

- 6:16 AM


Institutos da Baixada Santista divulgam dados alarmantes sobre a relação do descarte do lixo nos mares e oceanos com os animais de hábitos marinhos

A Baixada Santista é banhada pelo Oceano Atlântico e as vastas praias são habitat de muitas espécies de animais.

Entretanto, devido à proximidade com as cidades, muitas vezes eles sofrem consequências de ações do homem.

A intervenção humana na natureza se dá, principalmente, com a poluição.

O descarte inadequado de produtos, especialmente o plástico, afeta centenas de animais todos os anos. As espécies de hábitos oceânicos, como tartarugas, peixes e aves, são as mais afetadas.

A WWF (Fundo Mundial para a Natureza, em português) publicou estudo recente que o Brasil é o 4º maior produtor de lixo do mundo – ficando atrás dos EUA, China e Índia – especialmente de resíduos plásticos.

Além disso, de acordo com o Banco Mundial, mais de 2,4 milhões de toneladas de plástico são descartadas de maneira irregular, especialmente nos oceanos.

Diversas instituições da região realizam trabalhos que visam a recuperação e preservação dos animais de hábitos aquáticos. Um deles é o Instituto Biopesca.

Atenção

No ano passado, o Instituto Biopesca finalizou uma pesquisa sobre ingestão de resíduos sólidos por tartarugas marinhas. E o resultado foi alarmante.

O trabalho mostrou que, entre os resíduos encontrados no trato digestório (intestinos, esôfago e estômago) de tartarugas marinhas, estavam diferentes tipos de plástico (mole, duro, maleável e com alumínio), além de papel alumínio, isopor, fio e corda de nylon, entre outros objetos.

Além disso, 97,57% dos intestinos das 516 tartarugas marinhas examinadas já sem vida pela equipe da organização (entre agosto de 2015 e maio de 2018) apresentavam algum tipo dos resíduos citados.

As toninhas – que são a única espécie de golfinho seriamente ameaçada de extinção no Brasil – também foram objetos de estudos do instituto.

Cerca de 14,4% dos animais estudados apresentaram embalagens plásticas no estômago ou esôfago.

Entretanto, não é possível afirmar se esses animais morreram devido à ingestão do lixo, mas que esse fator pode ter colaborado com a morte deles.

Ingestão de lixo

A ingestão de lixo é uma das principais causas de encalhes e óbitos de criaturas marinhas.

Rosane Farah, bióloga do Instituto Gremar, estima que isso provoque entre 20% e 25% das mortes dos animais encontrados.

Entretanto, esse número não é mais preciso devido ao estágio avançado em que suas carcaças são encontradas, dificultando a necropsia.

Para os animais marinhos, o plástico parece e, acima disso, tem cheiro de comida.

Isso acontece porque o resíduo é colonizado rapidamente por micróbios. Por esse motivo, eles confundem resíduos com alimentos tão facilmente.

Números
O Gremar também tem registrado aumento significativo no volume de animais resgatados.

Em 2015, foram 588, sendo 462 (78,5%) que não sobreviveram ou foram encontrados mortos.

Em 2018, foram 1066 entradas, sendo 873 animais falecidos (81,8%).

O Biopesca também registra aumento. Mas, em contrapartida, o índice de animais mortos diminuiu.

Em 2015, das 832 entradas, 803 (96,51%) foram animais encontrados mortos ou que não resistiram.

Já no ano passado, 1214 dos 1332 (83,18%) resgatados foram os que não sobreviveram.

animais marinhos resgatados

Monitoramento

Essas duas organizações fazem parte, desde agosto de 2015, do Projeto de Monitoramento de Praias da Bacia de Santos (PMP-BS).

Desta forma, ele é conduzido pelo Ibama e tem o objetivo de avaliar possíveis impactos das atividades de produção e escoamento de petróleo sobre as aves, tartarugas e mamíferos marinhos. Ambas tem apoio da Petrobras.

Desta forma, as organizações fazem o monitoramento das praias, bem como o atendimento veterinário aos animais vivos e a necropsia dos encontrados mortos.

Esse monitoramento do projeto abrange o litoral de Santa Catarina, Paraná, Rio de Janeiro e São Paulo, incluindo outras instituições.

Na Baixada Santista, o Biopesca monitora Praia Grande, Mongaguá, Itanhaém e Peruíbe, enquanto o Gremar acompanha Bertioga, Guarujá, Santos e São Vicente.

Assim, o número de resgates realizados pelas associações costuma variar de acordo com as estações.

As aves marinhas, por exemplo, são mais atendidas na primavera/verão, pois muitas estão em migração nesse período.

É alta a incidência de tartarugas-marinhas durante todo o ano nas praias da região. Porém, é durante a temporada de verão que elas estão em reprodução, aproximando-se da costa para desova.

Em contrapartida, as baleias e os pinípedes – família a qual pertencem os lobos marinhos – são mais encontrados durante o inverno.

O Projeto Albatroz, que também atua na Baixada Santista, surgiu em prol da conservação de albatrozes e pétreis.

São aves que vivem em alto-mar e podem ser alvos acidentais da pesca industrial.

No entanto, a organização não realiza resgate e reabilitação dessas aves, contando assim com a parceria do Instituto Gremar.

Por outro lado, o Projeto Albatroz realiza ações de educação ambiental, além de apresentar políticas públicas e pesquisas destinadas à preservação das espécies de aves marinhas.

Outros tratamentos

Além das instituições que monitoram as praias da Baixada Santista, o Aquário Municipal, em Santos, e o Acqua Mundo, em Guarujá, possuem equipes de biólogos e veterinários prontos para tratar de animais resgatados pela polícia, guarda ambiental, entre outros.

Após o processo de reabilitação, é avaliado se o animal apresenta condições de ser reintegrado ao meio ambiente. Se não estiver apto, pode integrar os recintos do aquário.

Rafael Santos, biólogo do Acqua Mundo, afirma que a maioria dos pinguins é fruto de resgates. Além disso, ele aponta que os outros nasceram no local.

Rafael explica ainda que grande parte dos répteis chegou de Centros de Triagem de Animais Silvestres (Cetas), oriundos de apreensões e tráfico de animais.

Além dos recintos, os animais tratados podem ser encaminhados para zoológicos, outros aquários espalhados pelo País, e locais como o Parque Estadual Marinho Laje de Santos.

Desde que integraram o PMP-BS, em agosto de 2015, os institutos Biopesca e Gremar já resgataram, juntos, milhares de animais.

Em pouco mais de três anos – até o início de fevereiro passado – o Biopesca recolheu 4.514 animais marinhos. Por outro lado, o Gremar registrou 3.749 animais de agosto de 2015 a dezembro de 2018.

Os números representam animais vivos e mortos e oscilam durante esse período. De acordo com o Gremar, cerca de 50% dos animais resgatados com vida são reabilitados e encaminhados para soltura.

O grupo mais atendido é o das tartarugas, enquanto o dos mamíferos é o menor.

Projetos

Diversas ações são promovidas pelas entidades para conscientizar a população sobre a necessidade da preservação da vida marinha.

O Biopesca tem o Projeto Pescador Amigo, para sensibilizar pescadores a respeito de práticas sustentáveis de pesca.

Além disso, realiza ações para limpeza de praia, bem como atividades que visam educação ambiental e participa de pesquisas acadêmicas.

Não bastasse, a Secretaria do Meio Ambiente, responsável pelo Aquário de Santos, tem programas como Recicla Santos, Composta Santos, Pesca Fantasma, entre outros.

Além disso, está no calendário oficial da cidade o evento Santos pelo Oceano. Ele consiste em atividades praticadas no dia 8 de junho – em alusão ao Dia Mundial dos Oceanos.

Assim, a realização mais recente da Semam foi a instalação do Ecopeixe, no Boqueirão, estrutura em formato de peixe para armazenar lixo limpo.

Mais projetos

Em setembro, acontece o Dia Mundial da Limpeza de Rios e Praias, e o Gremar aproveita a data para realizar mutirões de limpeza durante todo o mês.

Desta forma, o instituto realiza também ações pontuais em diversas praias da região, expondo animais taxidermizados e cartazes educativos em tenda própria.

Já o Projeto Albatroz envolve jovens, estudantes e pescadores em diferentes práticas que enfatizam a importância da sensibilização a respeito da biodiversidade no mar.

Destaque para o Consuma São, que é realizado na areia da praia. Assim, o objetivo dele é levar os banhistas à reflexão sobre seus hábitos de consumo e como eles podem afetar a vida marinha.

Como contatar

Assim, as instituições apresentam canais para entrar em contato caso seja encontrado algum animal morto ou debilitado. O indicado é não mexer e afastar curiosos, mas entrar em contato.

Os canais de comunicação são:

Biopesca – 0800 642 4441; pelo celular (13) 99601 2570 (a cobrar ou WhatsApp).
Gremar – (13) 99711-4120.
Corpo de Bombeiros – 193.
Polícia ambiental – por meio de site, e aplicativo para Android e iOS.

Dia Mundial da Água

Em 22 de março é celebrado o Dia Mundial da Água. A data tem o objetivo de alertar a população de todo o mundo sobre a importância desse recurso natural para a sobrevivência do planeta.

Neste ano, a data será utilizada para lançamento da primeira etapa da Agenda Ambiental Urbana: Combate ao Lixo no Mar.

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Salles, estará em Santos na sexta-feira (22), às 9 da manhã, para iniciar o projeto.

Acontecerá a entrega da escultura de um Tubarão-Baleia de 15 metros, que será preenchido com o lixo retirado do mar.

Além de Santos, Ilhabela também receberá uma escultura feita pelo artista Siron Franco.

Via: mundodospets
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